Manchester United x FC Bayern München (Champions League 09/10)

Segue aí mais uma contruibuição escrita por um amigo. O André, português que mora na Inglaterra e é torcedor do Manchester United, foi acompanhar seu time contra o Bayern pelas quartas de final da Champions League. Valeu André, e na próxima temporada espero ir aí para assistirmos um jogo do ManUnited!

Sendo a atribuição de bilhetes aos sócios feita através de sorteio, é relativamente complicado conseguir bilhetes para ver jogos em Old Trafford. Quanto mais relevância tiver o jogo, mais complicado é conseguir bilhetes. Foi por isso foi com alguma incredulidade que li o e-mail em que dizia que o meu número de sócio tinha saído no segundo sorteio (dos que acabaram por não ficar com os bilhetes ganhos no primeiro) para o jogo dos quartos de final da Liga dos Campeões contra o Bayern de Munique. Marquei prontamente a viagem de autocarro, que teria partida de Londres na quarta-feira por volta do meio-dia e regresso à meia-noite do mesmo dia. A viagem demora cerca de 5 horas e faz-se relativamente bem na companhia de algum sono e um iPod bem apetrechado.

Saímos de Londres à hora marcada com destino a Manchester, parando num par de cidades mais pequenas na sua periferia e também no aeroporto. Sendo feita maioritariamente pela auto-estrada, a viagem faz-se bem e de todas as vezes que lá fui, tive sorte de ir num autocarro praticamente cheio de adeptos do United, acrescentando à excitação que é ir a Old Trafford. A viagem decorreu sem problemas, parámos numa estação de serviço a meio da viagem onde nos cruzámos com alguns adeptos da equipa bávara que ficaram tanto na deles como nós na nossa. O tempo estava cinzento e a chuva prometia, depois de esticar as pernas decidi voltar para o autocarro que o frio estava-se a revelar algo desagradável. Pouco tempo depois, já de novo na auto-estrada, fomos informados pelo condutor que tinha havido um acidente enorme mais à frente e que íamos ter que ir pela estrada nacional para não ficarmos ali presos. Isto iria revelar-se num atraso de meia hora, que apesar de me ter deixado algo chateado, nem por isso causou grande diferença.

Lá chegado, e já me conseguindo orientar relativamente bem no centro da cidade, fui directo à estação de Piccadilly para comprar os bilhetes que dão acesso ao comboio que faz ligação directa entre a cidade e o estádio em dias de jogo. O preço do bilhete de uma viagem de retorno é £3.50 e não há nada como ver esse mesmo comboio todo ‘vestido’ de vermelho, antes e depois do jogo. Como ainda faltava algum tempo até sair o primeiro comboio, fui até à praça no centro fazer algum tempo e ver as vistas.

Cheguei ao estádio cerca de uma hora antes do começo do jogo e ainda andei cá fora algum tempo antes de entrar. Infelizmente não tinha tido hipótese de o fazer das outras vezes que lá tinha ido. O estádio é bonito e vive à altura da história e imponência do clube que representa.  Depois de algum tempo a contemplar as vistas decidi entrar, sendo o meu lugar no quadrante norte do estádio e tendo ficado do lado da claque do Bayern, algo que teria dispensado mas que acabou por não ser assim tão mau. Sentia-se alguma confiança no ar do nosso lado, sentia-se que 1999 ia acontecer de novo e que de novo quem ia rir éramos nós. Foi com alguma surpresa, dadas as notícias dos dias anteriores, que vi Rooney subir ao campo para treinar com o resto do 11 inicial. Foi com ainda mais surpresa que ouvi o nome dele ser anunciado como parte desse 11. Temi um pouco pela saúde dele, ainda que este fosse um jogo importante para nós. O estádio foi enchendo e já se ia cantando de bancada em bancada, calando os alemães, que tinham vindo em grande número.

O jogo começou bem, ao fim de 10 minuto já ganhávamos por 2-0 com dois belíssimos golos para Gibson e Nani, sendo o de Nani provavelmente um dos melhores da carreira dele e desta época para o United. As bancadas estavam completamente ao rubro e cantava-se continuamente, melhor atmosfera não podia ser pedida. Estávamos então com uma vantagem de 3-2, tendo em conta o resultado da semana anterior em Munique, em que perdemos 2-1. Era bom, mas não suficiente e embora tivéssemos a jogar do melhor futebol apresentado esta época, seriam precisos mais golos para garantir a passagem com conforto antes de chegar o fim do jogo. O Bayern estava quieto e sem grandes movimentações, fruto talvez do começo abrupto a que tinham sido sujeitos. Foi perto do fim da primeira parte que uma brilhante jogada resultou em mais um brilhante golo de Nani e um erro triste na defesa ofereceu um golo ao Bayern, que complicaria assim a facilidade de que até então tínhamos beneficiado.


Aparte do coxear de Rooney e do golo sofrido, tudo parecia bem encaminhado para a segunda parte e respectiva progressão na Liga dos Campeões. Infelizmente, aos 49 minutos, Rafael viu o seu segundo amarelo e foi expulso. A falta foi infantil e manchou a até então boa prestação que ele tinha feito. O público estava apreensivo, já por várias vezes jogámos com 10 e ganhámos, mas seria o mesmo jogar com 10 com um Rooney a meio-gás? Não demorou muito até que ele fosse substituído, queixoso da lesão que tinha contraído no jogo da primeira-mão e a partir daí não conseguimos voltar a pôr a mudança certa, que nos permitisse tomar controlo do jogo.

Foi uma segunda-parte relativamente fraca (ainda que interessante) e onde não conseguimos domar os alemães. O público cantou sem parar e nem quando o Bayern marcou o segundo golo, que lhes garantiria passagem às meias-finais, parámos. O desalento era visível nas caras de todos os adeptos e na minha cabeça apenas soava o nome do Rafael, que pela terceira vez esta época tinha comprometido a equipa e por um erro tão estupido. O jogo acabou com uma vitória nossa, que não serviu para seguirmos em frente e ditou o fim de mais uma jornada na Liga dos Campeões. A tão esperada final entre o United e o Barcelona afinal não iria acontecer. Os adeptos iam-se dirigindo para as saídas, cabisbaixos, e lá se ouvia um outro lamurio sobre quem seria o culpado. Não surpreendentemente ouvi várias vezes o nome do Rafael.

Tive que esperar meia hora pelo comboio de volta para o centro onde teria que esperar pouco mais de uma hora pelo autocarro de volta para Londres. O autocarro era suposto sair de Manchester à meia-noite mas como havia um considerável número de pessoas a virem directamente para Londres, eles dividiram os autocarros e como resultado disso saímos de lá meia hora mais cedo que o previsto. No autocarro iam só adeptos do United, como já tinha acontecido das outras vezes que tinha ido a Manchester. Chegámos a Londres às 4 e tal da manhã e com sorte consegui apanhar logo o N11 que me deixa mais ou menos à porta de casa. Às 5 horas já estava pronto para ir dormir rumo a mais um dia de trabalho, até uma próxima vez.

Vídeo do derby Benfica x Sporting

Confira também o relato e fotos do jogo no post anterior:

Benfica x Sporting (Campeonato Português 09/10)

Ontem pela primeira vez pude acompanhar o derby lisboeta Benfica x Sporting. Historicamente é o maior clássico do futebol português e um dos mais tradicionais de todo o mundo, disputado desde 1907.  É o tipo de jogo que muda a rotina de uma cidade, mexe as pessoas, o clima fica diferente, pois todos sabem que em algumas horas tudo estará dividido entre dois lados.
Infelizmente o derby de ontem deixou a desejar por alguns motivos. Primeiramente, o Benfica é líder disparado e estava nada menos do que 23 pontos a frente do Sporting que ocupa a quarta colocação e já não briga por nada. Outro problema foi o dia do jogo, marcado para uma terça-feira às 20:45 . E finalmente, algo que aos poucos tem se tornado regra nos clássicos brasileiros, a disponibilização de apenas 5% da carga de ingressos para a equipe visitante. Tudo bem que são detalhes, mas no final das contas acaba influenciando.
Ao invés de ir direto para o Estádio da Luz, decidi sair mais cedo e passar na concentração dos torcedores do Sporting no Estádio de Alvalade. Cheguei por volta de 18hs e havia um número razoável de pessoas próximas às salas das três claques do clube: Juventude Leonina, Torcida Verde e Directivo Ultras XXI. Aos poucos mais gente foi chegando e o clima era animado com músicas de apoio ao Sporting e muita “dedicadas” ao rivais. Por volta de 19hs os policiais começaram a organizar o deslocamento entre os dois estádios que seria feito a pé já que a distância é de cerca de 4km.
Os torcedores foram escoltados por muitos policiais e carros, pelo que percebi há uma força especial da polícia que fica responsável para ações desse tipo. Aproveitei para tirar algumas fotos e corri para o Estádio da Luz, pois a minha idéia era conseguir capturar a chegada dos torcedores do Sporting em cima de algum viaduto/passarela. Entretanto quando a escolta com os torcedores se aproximou os policiais não permitiram que ninguém ficasse por perto. Então tive que sair dali e subi as rampas de acesso ao estádio, mas mais uma vez fui “gentilmente” convidado a me afastar e não consegui tirar fotos.Calculo que havia cerca de 2 mil torcedores do Sporting neste deslocamento e muita, mas muita polícia. Talvez devido aos últimos acontecimentos entre Benfica x Porto no Algarve e Sporting x Atletico de Madrid foi montada esta operação de “guerra”, mas não percebi e não tive notícias de nenhum problema.
Uma coisa que me chamou a atenção nas proximidades e até dentro do Estádio da Luz foi a presença de muitos torcedores do Sporting no meio da torcida do Benfica. Isso é algo inimaginável nos clássicos brasileiros onde você nem se quer consegue se aproximar dos torcedores adversários do lado de fora do estádio que fica totalmente cercado e dividido. Achei o clima no geral muito mais “amistoso” do que imaginei. Não sei se foi a tensão e confusão que presenciei em Braga (Braga x Guimarães), mas esse foi sem dúvidas o clássico mais tranquilo que já assisti. Não que isso seja negativo, é bacana ver amigos de ambos os times circulando juntos, uma convivência pacífica, mas acho estranho já que de onde eu venho clássico é sinônimo de guerra.
Quando entrei o estádio já estava lotado, 60 mil pessoas, e o clima era de festa entre os torcedores do Benfica. Diferentemente das outras partidas que acompanhei da equipe (contra Everton, Nacional e Liverpool) ontem os torcedores pareciam muito mais animados e cantaram bastante. Há de se destacar que os torcedores do Sporting também não pararam, principalmente no primeiro tempo quando a equipe esteve bem em campo, mas de onde eu estava sentado não conseguia vê-los muito bem (mas ouvia seus cantos).
Após um primeiro tempo fraco, com o Sporting até melhor em campo, o que causou nervosismo entre os torcedores do Benfica a minha volta, a equipe da casa voltou com tudo para a segunda etapa e não demorou muito para marcar: primeiro com Cardoso e depois com um golaço de Aimar que garantiu a vitória. Agora o Benfica está praticamente com as mãos no título,  seis pontos a frente do segundo colocado (Braga) e restando apenas quatro rodadas.

FC Porto x Marítimo (Campeonato Português 09/10)

Infelizmente foi impossível viajar esse fim de semana para acompanhar os jogos do Braga (em Leiria) e do Vitória (em Guimarães). Além de ter tido aula sábado durante o dia inteiro sairia bastante caro bancar toda a gasolina e pedágios (portagens) sozinho já que fiz o mesmo rolê na semana passada. De qualquer forma agradeço aos adeptos de ambas as equipes que comentaram aqui no blog. Espero voltar ao norte até o final da temporada.

foto tirada logo que entrei no estádio, bem cedo

Continuando onde parei no último post, depois de acompanhar Braga x Vitoria de Guimarães na sexta segui direto para a cidade do Porto onde no dia seguinte teria a oportunidade de assistir o FC Porto jogando em casa contra o Marítimo. Gastei um bom tempo porque o trânsito nas proximidades do estádio em Braga estava horrível e quando finalmente cheguei no Porto acabei me perdendo e dando voltas até achar o hotel.

Dragão pela manhã

No dia seguinte acordamos cedo e fomos direto ao Estádio do Dragão para comprar os ingressos do jogo. Deixei o carro no estacionamento do shopping ao lado (gratuito, fica a dica) e ainda dei uma passada na Loja Azul que fica na parte externa do estádio. Por sinal, é um estádio belíssimo e moderno. Agora que conheço os estádios do “três grandes” de Portugal posso afirmar que é o meu favorito entre eles (estou excluindo o de Braga que é um caso a parte). Assim como o dos rivais, foi construído para a Eurocopa 2004 substituindo o antigo estádio das Antas e tem capacidade para 52 mil expectadores.

O que mais me impressionou na arquitetura do Dragão é a cobertura das arquibancadas que é transparente e as aberturas laterais, conseguindo unir a idéia de estádio moderno ter aquela cara de estádio pré-fabricado que é cada vez mais comum nos projetos atuais.Na bilheteria tentei comprar um ingresso para atrás do gol, local onde a Super Dragões, principal torcida do Porto, fica mas a funcionária disse que não era possível (não sei se ali é apenas para sócios) e acabei pegando um no setor ao lado por 15 euros.

Como ainda era cedo, pegamos o metrô ao lado do estádio e fomos para o centro da cidade aproveitar o tempo livre. Aproveitei o dia para dar um rolê turista, visitando a região da Ribeira, atravessando a Ponte D. Luís I, etc. Porto é uma belíssima cidade que conserva bem sua história e cultura.

Porto (aí até parece que sei tirar fotos)

Voltando ao futebol, chegamos no Dragão ainda cedo já que o jogo estava marcado para às 20:45 e deu para observar o público entrando aos poucos no estádio. Como o Porto ocupa a terceira posição no campeonato o público não foi excelente (26 mil pessoas) mas bom dentro da situação atual da equipe que não vive um grande momento. De qualquer forma muita gente enfrentou a chuva e o frio daquela noite para ver o Porto. Destaque para as claques, Super Dragões e Colectivo Ultras 95, que cantaram durante todo o jogo. Notei ainda um grande número de turistas estrangeiros que estavam ali visitando o estádio e tirando fotos.

A partida que não prometia muito acabou começando quente, pois logo no primeiro ataque o Marítimo marcou. Mas pouco tempo depois o Porto empatou, virou e finalizou o placar em 4×1 com direito a um gol de bicicleta de Falcão e uma boa atuação e gol de Hulk.

Terminado o jogo era hora de pegar estrada e encarar 300km até Lisboa, mas antes paramos para comer e passamos no supermercado para comprar um estoque de energéticos. Entretanto, como a estrada estava bem vazia, a volta foi tranquila e chegamos em casa por volta de 3 da manhã. Foi o final de mais um rolê futebolístico que começou na quinta e só terminou na madrugada de sábado para domingo.

Braga x Vitória de Guimarães (Campeonato Português 09/10)

Aproveitei alguns dias de folga para acompanhar três jogos em três dias no último final de semana. Um amigo inglês, companheiro de rolês futebolísticos, veio passar o feriado em Lisboa e o plano inicial era apenas assistirmos Benfica x Liverpool na quinta-feira. Entretanto, quando voltamos do jogo (que será comentado nos próximo posts) decidimos ir até o norte de Portugal para ver o derby Braga x Vitória de Guimarães na sexta e Porto x Marítimo no sábado.

A tarefa mais difícil foi convencer a patroa a ir junto. Outro problema foi conseguir um hotel já que não planejamos nada e era feriado então estava tudo lotado. Acabei ficando acordado até 4 da manhã resolvendo as coisas, mas no final deu tudo certo.

Como o jogo estava marcado para as 6 horas da tarde, em plena sexta-feira, partimos de Lisboa logo após o almoço para percorrer 360 km até Braga que fica bem ao norte do país, quase na fronteira com a Espanha. A viagem foi tranquila, apesar do trânsito lento em algumas partes e acabamos chegando faltando pouco mais de meia hora para começar o jogo. Nas redondezas do estádio era possível ver muita gente com camisetas e cachecóis do Braga e foi difícil conseguir um lugar para estacionar o carro. Fomos andando em direção a bilheteria para comprar os ingressos quando a polícia apareceu, fechando o caminho para que os ônibus com os torcedores do Vitória de Guimarães pudessem passar. Nessa hora eu entendi o que significava aquele jogo, chamado de “clássico minhoco” (por se tratar da região do Minho).

A rivalidade entre os torcedores das duas equipes vai muito além do futebol, é algo histórico já que as cidades ficam a apenas 20 km de distância. Eu já havia ouvido falar sobre esse clássico, considerado um dos melhores de Portugal, mas não imaginava que a rivalidade era tão grande. Estou acostumado com clássicos no Brasil, mas o ódio que pude perceber entre os torcedores de Braga e Vitória de Guimarães é tão grande ou até maior que os principais clássicos brasileiros. Resumidamente, essa rivalidade tem quase MIL anos e confunde-se com a própria história de Portugal, envolvendo o reino, a igreja e disputas por terra e poder. Para saber mais sobre o assunto há um post interessante neste blog.

Enquanto os ônibus com torcedores do Vitória passavam em direção a entrada do estádio (contei pelo menos 15) os torcedores do Braga iam para cima, gritando, atirando pedras enquanto os rivais abriam as portas dos ônibus e enfrentavam. A polícia tentava controlar a confusão e eu no meio disso tudo tentando, ao mesmo tempo, tirar fotos e proteger minha garota. Consegui filmar o momento em que um torcedor do Braga completamente possuído é contido e arrastado pelo seus pais e pela polícia. Só quando todos os ônibus finalmente passaram foi possível chegar até a bilheteria e comprar os bilhetes por 20 Euros.

Com o clima mais tranquilo, pude finalmente observar o estádio municipal de Braga que tinha vontade de conhecer desde que cheguei a Portugal. É um dos estádios mais originais de todo o mundo, apelidado de “A pedreira” por ter sido construído nas encostas de uma montanha. O projeto é tão inovador que conquistou importantes prêmios de engenharia e arquitetura ao conseguir criar uma verdadeira obra de arte. Construído para a Eurocopa 2004, tem capacidade para 30 mil espectadores, e curiosamente só tem duas arquibancadas laterais.

Como se não bastasse tudo isso o jogo em si foi absurdo: quatro pênaltis (3 para o Braga e 1 para o Guimarães) e 4 cartões vermelhos para o Guimarães que terminou o jogo com sete jogadores em campo. O clima tenso no campo contagiou as arquibancadas e quando percebi havia cadeiras voando! Como eu estava na arquibancada superior consegui filmar a confusão que durou quase dez minutos com os torcedores de ambos os times arremessando cadeiras, enfrentando a polícia e cantando ao mesmo tempo. Sendo imparcial tenho que elogiar ambas as torcidas: os da casa, representados pelos Bracara Legion e Red Boys, que fizeram uma grande festa e os visitantes, White Angels, que compareceram em excelente número e cantaram durante os 90 minutos.

Este jogo foi sem dúvidas o melhor que vi desde que cheguei, uma partida com todos os ingredientes necessários. Desde o clima do lado de fora do estádio, a provocação, as confusões, os pênaltis, expulsões e lances polêmicos… um verdadeiro clássico!

Belenenses x FC Porto (Campeonato Português 09/10)

Em uma pacata final de tarde de domingo em Lisboa peguei um ônibus até o bairro do Belém para ver o jogo entre o Belenenses e o Porto pelo Campeonato Português. O Belenenses é uma destas equipes tradicionais e simpáticas porém decadentes assim como no Brasil há o Juventus em São Paulo, Bangu no Rio e o America em Minas Gerais. Times que ganharam títulos importantes em um passado distante e hoje, diante das adversidades do futebol moderno, lutam para competir entre os grandes.

Esta foi a segunda vez que fui a um jogo do Belenenses (a primeira contra o Sporting há algumas semanas atrás) o que significa um passeio por um dos bairros mais tradicionais e belos de Lisboa, o Belém. É nesta região, distante cerca de 20 minutos do centro, e às margens do rio Tejo que localiza-se a Pastelaria do Belém, casa do famoso pastel de belém que é bem conhecido no Brasil. Na região há vários parques, praças e museus e fica lotado nos finais de semana. E em meio a tudo isso há o estádio do Restelo, a casa do Belenenses.

Vista externa do Estádio do Restelo (wikipedia)

Construído em 1956 e com capacidade para 30 mil espectadores, o estádio é bem simples e tradicional, principalmente se comparado aos do Benfica e Sporting. Porém preserva um aspecto tradicional interessante e talvez pela simpatia do clube e do bairro seja muito atrativo ver um jogo lá. Infelizmente o Belenenses atravessa um péssimo momento e dificilmente escapará do rebaixamento. Talvez por isso o público tenha sido pequeno, não chegando a oito mil pessoas, e a torcida do Porto era a imensa maioria.

Cheguei no momento em que as torcidas organizadas do Porto eram conduzidas pela polícia a porta do estádio. E foi curioso observar como mesmo em um jogo tranquilo como este a polícia preparou uma mega-operação com dezenas de viaturas e policiais que ao invés de organizarem e facilitarem apenas tumultuaram a entrada dos torcedores que ali estavam.

Acabei entrando no estádio minutos antes do início do jogo e fiquei junto a torcida do Porto no setor atrás de um dos gols, mesma área onde estavam os Super Dragões e o Colectivo Ultras 95 que vieram em bom número. Pelo que percebi lá fora havia cerca de 6 ônibus com torcedores vindos do Porto e todos que ali estavam fizeram uma excelente festa, cantando os noventa minutos com muitas bandeiras e faixas. Gostei das músicas cantadas pela torcida e sua organização na arquibancada, principalmente pelos puxadores que comandavam e não deixavam as coisas desanimarem.

Como as chances do Porto de conquistar o campeonato são remotas o principal atrativo para os seus torcedores era a volta de Hulk que esteve suspenso por quase quatro meses após uma briga no clássico contra o Benfica em Dezembro. Parece que o tempo parado o deixou com fome de bola e além de ter marcado um golaço ainda participou dos outros dois que deram a vitória ao Porto por 3 a 0. Muita gente no Brasil acha que o Hulk é bastante limitado, mas para mim trata-se de um excelente atacante.

Tecnicamente foi uma partida apenas regular pela fragilidade do Belenenses que pouco incomodou, mas um excelente programa para uma agradável noite de domingo em Lisboa. Abaixo há um vídeo que fiz para mostrar um pouco melhor como foi o rolê e acabou até aparecendo em um blog português (portugal ultras).

Cerro Porteño x Corinthians em Asuncíon (Libertadores 2010)

Conforme prometido taí a primeira colaboração enviada ao blog pelo meu camarada Gabriel da Camisa 12, contando sobre sua viagem ao Paraguai para acompanhar o Corinthians pela Libertadores 2010. Gostaria de agradecer ao Gabriel pelo relato e já faço o convite para enviar o próximo! Aproveito para lembrar que o blog continua aberto a participação e se mais alguém quiser enviar algum material sobre jogos, viagens ou estádios é só entrar em contato! Cristiano


Dia 17 de março era a data do terceiro jogo do Corinthians pela Copa Libertadores da América 2010, o segundo fora de casa. A partida anterior foi em Bogotá, na Colômbia, distância muito grande para se percorrer, mas mesmo assim a fiel compareceu em bom publico, mais de 500 torcedores deixaram o Brasil rumo a Colômbia para empurrar o time ao empate no fim do jogo.

Já para essa partida a viagem era mais curta, aproximadamente 24hs, e com isso a fiel foi se movimentando e se organizando para chegar em peso a Assunção. Ao todo não se sabe quantos ônibus saíram, mas de São Paulo foram mais de 10, entre as organizadas Gaviões da Fiel, Pavilhão Nove, Estopim da Fiel, Coringão Chopp e saíram também ônibus de Curitiba (Fiel Curitiba), Londrina (Fiel Londrina) e Foz do Iguaçu (Fiel Foz). Nós da Camisa 12 saímos em 1 ônibus só com associados e outros membros que foram de avião e carros (e não se esquecendo do pessoal da Fiel Salvador que chegou também de avião).

Saímos de São Paulo na noite de segunda-feira, dia 15 de março, e a viagem era tranquila até o momento em que um pneu estourou na estrada durante a madrugada e o ônibus quase capota, por pouco o acidente nao foi maior. Resolvido o problema seguimos viagem, samba rolando solto no ônibus, afinando a garganta com músicas de apoio ao Corinthians para passar o tempo e descontrair. Entre paradas para almoço, jantar e para o pessoal tomar banho e descansar as pernas chegamos a Foz do Iguaçu na terça-feira pela noite e nos hospedamos num hostel. Tomamos banho, jantamos e fomos andar pela cidade já que iamos ter que esperar até quarta de manha pra trocar de ônibus e seguir viagem.

Quarta-feira pela manhã, dia do jogo, todos já haviam ido a Ciudad del Leste para suas compras e ainda encontramos um restaurante na cidade que se chamava “O Corinthiano”. Esperamos a hora do almoço para prestigiar o local e nos alimentarmos antes de seguir viagem. Nosso ônibus chegou, seguimos então até Asunción, mas antes passamos pela fronteira sem maiores problemas, trocamos dinheiro e continuamos por mais 6 horas até a cidade do jogo.

Chegando em Asunción o clima parecia bem pesado: ônibus locais cheios de torcedores do Cerro Porteño, carros, motos, xingamentos e provocações até chegarmos ao Defensores del Chaco, Estádio Nacional  com capacidade para 36 mil pessoas onde se realizou a partida já que o estádio do Cerro tem capacidade para 4 mil pessoas apenas e não suportava a partida. Quando chegamos a porta do Defensores del Chaco parecia que estávamos em São Paulo, num jogo em alguma cidade do interior de facil acesso: eram camisetas, bandeiras e muitos torcedores do Corinthians que já estavam lá.

Eram esperados cerca de 1500 corinthianos, mas fomos em 2 mil pessoas! Era uma festa só, descemos do ônibus e outros foram chegando atrás, batucada, gritos de guerra e provocações começaram, mas nada demais aconteceu, apenas torcedores que portavam bebidas alcóolicas foram detidos por motivo de uma lei no Paraguai que não se pode beber na redondeza dos estadios.

Pegamos nossos ingressos, entramos no estádio e fizemos nossa festa como sempre: eram 2 mil vozes gritando CORINTHIANS os 90 minutos sem parar, com bandeiras, faixas, sinalizadores (que entramos de forma ilegal, já que nao se pode entrar de maneira legal), fogos de artifício e bexigas nas cores preto e branco. Dentro do estádio se ouvia a torcida do Cerro Porteño apenas quando o time fazia alguma jogada de perigo, fora isso, éramos nós gritando o tempo todo, incendiando o Defensores del Chaco e fazendo festa. Assim que o Corinthians fez o gol começaram a voar pedras pra cima da gente, claro que atirávamos de volta contra eles e assim foi se desenhando o que viria depois. Quando acabou o jogo choveram pedras, saímos do estádio, entramos nos ônibus sem escolta alguma pra seguir viagem para Foz do Iguaçu e nas ruas e avenidas de Asuncíon o que se via em todo semáforo eram torcedores do Cerro atirando pedras contra nossos ônibus, mas nada de mais grave.

A viagem de volta teve a mesma rotina da ida. Paramos em Foz do Iguaçu para trocar de ônibus novamente e seguir para São Paulo. A viagem foi super tranquila, sem nenhum incidente, mas cansativa e chegamos todos acabados na sexta pela manha, dia 19 de março, com a missão cumprida de estar em mais uma partida fora de São Paulo e fora do Brasil com o intuito de apoiar e incentivar o Corinthians na vitória ou na derrota, nao importando o resultado e já combinando sobre a próxima viagem para Montevidéu no dia 14 de abril.

É isso aí, Camisa 12, com o Corinthians em qualquer ocasião.

Gabriel