Fullham x Shakhtar Donetsk (Uefa Europa League)

Mês passado voltei a Inglaterra aproveitando as passagens aéreas baratas que existem por aqui. Comprando com antecedência é possível conseguir passagens quase de graça. No meu caso fui de Lisboa para Londres pagando 60 euros ida e volta (cerca de 150 reais). Acabei dando azar de ir durante uma semana que não havia muitos jogos em Londres e como estava com a patroa não dava para ir para outra cidade. Olhei na Internet e tinha duas opções: Crystal Palace contra o Reading pela segunda divisão do campeonato inglês ou Fullham e Shakthar Donetsk pela Uefa Europa League. Como sempre tive uma simpatia pelo Fullham escolhi ir vê-los, além do que era bem fácil chegar até Craven Cottage (estádio do Fullham) do que no do Crystal Palace que fica bem mais afastado do centro de Londres.

O Fullham é um clube pouco conhecido no Brasil, ofuscado talvez pelo sucesso dos outros times de Londres. Mas é a equipe mais antiga da cidade, fundada em 1879, e berço do lendário Sir Bobby Robson. Entretanto, passou muito tempo pulando entre as divisões inferiores da Inglaterra, chegando até a quarta divisão em meados da década de 1990 até a equipe ser comprada pelo bilionário Mohamed Al-Fayed que reestruturou e levou o Fullham de volta a Premier League.

O rolê foi o mesmo de sempre: olhei na internet o horário da partida e a localização do estádio e peguei o metrô em direção ao “bairro” de Hammersmith & Fulham. No site dizia que a pre-venda já estava encerrada, mas não mencionava se os ingressos estavam esgotados então resolvi ir até lá conferir. Como não conhecia a região segui alguns torcedores do Fullham até o estádio, numa caminhada que demorou uns 20 minutos debaixo de chuva fina e muito frio (temperatura perto de 3 graus). A região é bem tradicional, cheia de pubs, e aos poucos fui vendo cada vez mais torcedores do Fullham pelo caminho.

Cheguei no estádio e logo de cara reparei que havia muita polícia, possivelmente pela presença de torcedores do leste europeu que têm uma péssima fama no restante da Europa. Mas o clima era muito tranquilo e os torcedores do Shakthar andavam em meio aos ingleses sem qualquer problema. Perguntando para os seguranças descobri que ainda havia ingressos a venda e consegui o mais barato, 18 libras (mais ou menos 50 reais).

Como ainda estava cedo aproveitei para circular do lado de fora do estádio e tirar algumas fotos já que Craven Cottage é um estádio que transpira história. Localizado em região privilegiada, próximo ao rio Tâmisa que corta Londres, foi fundado em 1896 e tem capacidade para 25 mil torcedores. Um aspecto marcante do estádio é que ele conserva um dos setores de estádio mais antigos do mundo (construído em 1905) onde ainda há assentos de madeira exatamente como quando foi fundado. Infelizmente não era possível assistir ao jogo lá porque é ocupado apenas por sócios, mas de onde estava consegui tirar boas fotos.

Entrei faltando uns vinte minutos, procurei meu lugar que era atrás de um dos gols e fiquei observando o movimento. Onde eu estava havia muitas famílias e crianças. Já na arquibancada oposta, atrás do outro gol, estava a firm do Fullham conhecida por Thames Valley Travellers. Bem no estilo inglês não usavam camisetas da equipe e não exibiam faixas ou bandeiras. Entretanto, cantaram bastante e eram seguidos por todo o estádio. A torcida do Shakhtar também estava presente, em pequeno número (cerca de 200 pessoas), mas com muitas faixas e bandeiras da Ucrânia. O curioso é que os caras estavam sem camisa, mesmo com o frio absurdo que fazia na hora do jogo.

O Shakhtar tem vários brasileiros na equipe, entre eles Douglas Costa, Luiz Adriano, Jádson, Ilsinho e Fernandinho. Mas quem começou bem foi o Fullham que marcou logo aos 3 minutos. O Shakhtar empatou no final do primeiro tempo com um gol de Luiz Adriano, mas no segundo tempo o Fullham marcou novamente com um golaço de Zamora e venceu por 2×1. A partir daí só deu Shakhtar que me surpreendeu pela velocidade e toque de bola, com um estilo bem sulamericano, e só não empataram porque o goleiro do Fullham salvou várias vezes.

Partida terminada, decisão ficou para a partida de volta na Ucrânia (que acabou empatada, classificando o Fullham) e mais uma caminhada até o metrô com direito a mais frio e chuva. Ótimo jogo, outro estádio para a lista e história para contar.

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Hillsborough (Sheffield Wednesday FC)

Primeiramente gostaria de agradecer o apoio que recebi, pensei que só eu e mais meia dúzia de amigos leriam o blog e a recepção foi acima do esperado então tentarei manter sempre atualizado. Contribuições também são muito bem-vindas e nos próximos dias a primeira já deverá ir ao ar com uma viagem acompanhando um time brasileiro na Libertadores 2010 (aguardem!). Aproveitem ainda para comentar, fazer críticas, sugestões, etc.

Entrada da sede/escritório do Sheffield Wednesday

Entrada da sede/escritório do Sheffield Wednesday FC

Como disse no primeiro post além das resenhas de jogos pretendo colocar aqui também visitas a estádios de futebol. E para começar o post de hoje é sobre um rolê no estádio do Sheffield Wednesday, o mítico Hillsborough, em Novembro do ano passado.

Para explicar como fui parar em Sheffield, na Inglaterra, vou voltar alguns meses no tempo até Abril de 2009. Tenho um amigo inglês, fanático por futebol e torcedor do Sheffield Wednesday que veio passar férias no Brasil e aproveitou o rolê para ver alguns jogos de futebol. Não lembro ao certo quais jogos ele foi, mas viu um clássico no Rio entre Flamengo e Botafogo no Maracanã e um jogo do São Paulo no Morumbi pela Libertadores. Como a viagem dele coincidia com a reta final dos estaduais falei para ele vir para Belo Horizonte justamente no fim de semana da primeira final do Campeonato Mineiro de 2009. Bom, não vou comentar sobre o jogo em si, mas meu amigo saiu maravilhado do Brasil com as festas no estádios, as torcidas e a diferença brutal que existe em todos os sentidos entre o futebol brasileiro e o inglês. Ele me disse que retornaria a hospitalidade quando eu fosse a Inglaterra e me levaria a um jogo do Sheffield Wednesday.

Então em Novembro do ano passado fui até lá, mas as datas da minha viagem não coincidiram com nenhum jogo do Sheffield Wednesday e para não passar em branco ele perguntou se eu não gostaria de conhecer o estádio do time. Lógico que animei e combinamos que eu pegaria um trem de Londres até Sheffield para dar um rolê. Uns dias antes ele ainda me enviou um email falando que tinha conseguido ingressos para vermos um jogo do grande rival do Sheffield Wednesday, o Sheffield United, jogando contra o Newcastle pela segunda divisão da Liga Inglesa, mas isso será comentado em algum outro post.

O Sheffield Wednesday é um time bastante tradicional,fundado em 1867, porém não tem tido sucesso nos últimos anos e tem passado a maior parte do tempo na segunda divisão. Ainda assim é uma equipe bem-estruturada, com muitos torcedores e um dos estádios mais famosos da Inglaterra. Infelizmente Hillsborough ficou conhecido pelo mundo como o palco de uma tragédia em 1989 quando 96 torcedores morreram em um jogo pela semifinal da F.A Cup entre Liverpool e Nottingham Forest. Anos depois, chegou-se a conclusão que as principais causas da confusão foram a superlotação do estádio e má organização. Para quem quiser saber mais sobre o episódio há um texto no blog Luz, Câmera, Gol.

Vista aérea de Hillsborough

Plano/Acesso ao estádio

Deixando a tragédia de lado, meu amigo que é sócio do Sheffield Wednesday há alguns anos, ligou no departamento de marketing e agendou a visita que seria acompanhada por um funcionário do clube. Chegamos lá e fomos direto a sede/escritório do clube que funciona dentro do próprio estádio. O funcionário nos recebeu e seguimos direto para o interior do estádio que foi construído em 1899. É impressionante pensar como um estádio com mais de cento e dez anos está bem conservado e ao mesmo tempo mantém todo aquele aspecto tradicional dos estádios antigos. Por mais que eu admire os projetos modernos dos estádios atuais, não há nada como os antigos e tradicionais, principalmente os que têm esse estilo inglês.

De lá para cá o estádio passou por várias reformas/ampliações e o grande projeto do clube visa a Copa de 2018 que a Inglaterra é candidata. Hillborough será um dos estádios selecionados caso o país seja escolhido e sofrerá uma reforma mais drástica para se adequar às exigências da Fifa.

O estádio hoje tem capacidade para 39.812 expectadores,todos sentados, mas como eu disse conserva bem o estilo tradicional dos estádios ingleses. Durante a visita foi possível subir na “arquibancada”, conhecer o interior do estádio e ir até o gramado para tirar algumas fotos.  Alguns dias depois meu amigo enviou um link do blog oficial do Sheffield Wednesday, comentando sobre a nossa visita. Vale destacar a atenção e receptividade dos funcionários do clube, que além de proporcionarem o passeio gratuitamente nos deixaram conhecer todos os locais e tirar fotos sem qualquer restrição.

Após a visita ao estádio fomos ao centro de treinamento do Sheffield Wednesday em outra parte da cidade onde mais uma vez fomos bem recebidos pelos funcionários do clube. Vimos um pouco do treino e no final conversamos com um jogador, também da seleção da Jamaica, que curiosamente me disse que sempre passava férias no Brasil. Como recordação comprei uma camiseta do clube e levei para casa junto com a simpatia pelo clube. Espero voltar até Sheffield para ver um jogo da equipe em Hillsborough.

Sporting x Atletico de Madrid (Uefa Europa League 09/10)

O primeiro jogo do blog é o mais recente que acompanhei, semana passada, entre o Sporting e o Atletico de Madrid no Estádio José Alvalade em Lisboa. Era o jogo de volta das oitavas de final da Uefa Europa League (antiga Copa da Uefa) 09-10. No jogo de ida, em Madrid, houve um empate em 0x0 o que deixou os torcedores do Sporting bastantes confiantes, mesmo enfrentando um grande adversário que conta com jogadores como Sergio Agüero e Diego Forlan. A expectativa de casa cheia fez com que eu agilizasse um ingresso alguns dias antes com um colega de sala que foi até o estádio e conseguiu os bilhetes por 15 Euros, um preço excelente se tratando da importância da partida e dos times em campo.

O jogo estava marcado para as 20hs, mas fui para o estádio bem cedo, por volta das 17 para encontrar o pessoal da minha sala e ver a movimentação lá fora. Peguei o metrô e já no caminho vi alguns torcedores do Sporting que aos poucos foram enchendo os vagões até chegar na estação Campo Grande onde se localiza o estádio José Alvalade ou Alavalade XXI.

O estádio, por sinal, é um capítulo a parte. Considerado pela UEFA como um dos melhores do mundo (recebeu 5 estrelas) foi reconstruido especialmente para a Eurocopa 2004 e tem capacidade para 50 mil pessoas. Dentro do estádio há um shopping (batizado de Alvaláxia) com lojas, supermercado, praça de alimentação e um cinema com 17 salas.

Mesmo cedo já havia bastante gente do lado de fora e as tradicionais barracas que vendem material oficial como camisas e cachecóis, coisa inimaginável no Brasil. Lá fiquei sabendo que logo no começo tarde houve confusão entre os torcedores do Atletico de Madrid que chegaram ao estádio sem escolta policial e tentaram invadir a sala da maior torcida organizada (que em Portugal se chama Claque) do Sporting, a Juventude Leonina, aproveitando que ainda não havia quase ninguém no estádio. Com isso criou-se um clima de guerra ali fora com uma concentração dos torcedores do Sporting, representados pelas três claques do clube (Juve Leo, Torcida Verde e Directivo Ultras XXI), esperando pela chegada dos espanhóis.

Gravei um vídeo tosco acompanhando a movimentação lá fora, a chegada dos espanhóis que se concentraram no metrô, a confusão e como não poderia faltar o papelão da polícia. Estou acostumado com a truculência dos policiais brasileiros, mas é inegável que nos últimos tempos as escoltas são na maioria das vezes excelentes, não deixando qualquer brecha para confusões. Mas aqui eu não entendi a estratégia da polícia que criou um cenário perfeito para a confusão que rolou lá fora: primeiro eles concentraram cerca de 2.500 torcedores do Atletico de Madrid na estação de metrô ao lado do estádio, depois varreram todos os torcedores do Sporting que estavam do lado de fora obrigando com que todos subissem as escadas e ficassem no alto esperando a entrada dos espanhóis que foram então conduzidos pela polícia no meio dos torcedores do Sporting até o portão onde entraram. Lógico que isso daria merda e logo de cara os torcedores do Sporting foram pra cima dos espanhóis e da polícia atirando pedras, bombas e tochas, em uma confusão que durou pelo menos uns 15 minutos. Enquanto os portugueses brigavam com a polícia, os espanhóis ficaram isolados no meio da rua e nessa hora voavam pedras e garrafas de todos os lados. Quando a polícia finalmente conseguiu conter as claques do Sporting os espanhóis puderam entrar no estádio e nessa hora quem se deu mal foram os torcedores comuns do Sporting, famílias que estavam na fila para entrar no estádio e foram varridos pela polícia para que os espanhóis entrassem rapidamente.

No meio da confusão acabei me desencontrando dos meus amigos e fui procura-los no shopping. Ali aproveitei para dar uma olhada na loja oficial do Sporting que fica no interior do estádio.

Após reencontrar meu amigo, pegar o ingresso, enfrentar uma “fila” de dois minutos com direito a uma breve revista policial, finalmente entrei no estádio. Fui direto para o terceiro piso e com toda a confusão faltava cerca de meia hora para o jogo começar, mas o estádio ainda estava vazio já que na Europa há lugar marcado e por isso o pessoal deixa para entrar faltando cinco minutos para o início da partida.

Vale destacar a bela festa das claques do Sporting, principalmente da Juventude Leonina que é a principal e mais antiga delas. Momentos antes das equipes entrarem em campo a Juve Leo, como é chamada, abriu uma bandeira de Portugal formada com barras verdes e vermelhas e duas faixas com os dizeres “Reviver Aljubarrota” e “Triunfar na Europa”, fazendo menção a Batalha de Aljubarrota em 1385 quando tropas portuguesas de Dom João I lutaram e venceram as tropas espanholas.

Mas quando a bola rolou o Atletico de Madrid foi logo pra cima e não demorou para abrir o placar com um gol de Agüero. Liedson empatou para o Sporting, mas aí Agüero fez outro golaço. No final do primeiro tempo Anderson Polga empatou novamente para o Sporting, deixando o jogo em aberto. Após um primeiro tempo emocionante, pensei que o segundo tempo seria também incríve com o Sporting indo para cima, mas foi um pouco mais morno do que imaginei e o jogo ficou nos 2×2, classificando o Atletico de Madrid para alegria dos seus 2500 torcedores que estavam bem ao lado de onde fiquei.


Há de se elogiar a atitude da torcida do Sporting que reconheceu o esforço e a raça do time e aplaudiu muito a equipe no final da partida. Igualmente bacana foram os jogadores do Atletico que assim terminado o jogo foram comemorar com seus torcedores como mostra o vídeo que gravei.

No final foi tudo tranquilo, peguei o metrô e mesmo com mais de 45 mil pessoas não houve qualquer tumulto na estação e cheguei em casa em pouco mais de meia hora. Durante o trajeto conversei com alguns torcedores do Sporting que estavam tristes pela derrota, mas felizes pela garra demonstrada pelo time que nos últimos anos não tem tido o que comemorar, amargando resultados apenas razoáveis no Campeonato Português e na Europa League.

Esse jogo mostrou que mesmo com todo a estrutura do futebol Europeu ainda há muito o que melhorar, principalmente com relação ao preparo da polícia. Ao mesmo tempo é a prova de que a rivalidade por aqui é grande, lembrando confrontos entre equipes Brasileiras e Argentinas na Libertadores. E para quem pensa que na Europa todo mundo assiste jogo sentado e ninguém briga taí o vídeo da TV portuguesa…

Enquanto o fim de semana não chega

A idéia deste blog surgiu há alguns meses quando me mudei para a Europa. Como estou longe de casa e não posso mais ir ao Mineirão acompanhar meu time, tentei compensar este vazio indo a jogos por aqui. Quem gosta de futebol sabe que não existe nada melhor do que ir ao estádio e é o que tenho tentado fazer na medida do possível.Além de acompanhar as partidas, curto visitar estádios, observar as torcidas, ouvir as músicas e como aqui ainda tem a diferença cultural acaba sendo bastante interessante.

Ainda quando morava no Brasil e viajava para acompanhar o Cruzeiro sempre tirava fotos e depois contava para os amigos como havia sido o rolê. Nessas viagens fui a vários jogos no interior de Minas, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Argentina. Além disso, quando estou de férias em qualquer lugar sempre procuro um jogo para ir ou um estádio para conhecer e como tenho bastante coisa guardada aos poucos irei colocando esse material mais antigo no blog.

Esta semana ainda coloco a primeira partida: Sporting de Portugal contra o Atlético de Madrid em jogo válido pela Liga Europa no Estádio José Alvalade na semana passada em Lisboa. E aos poucos irei postando jogos dos últimos meses como Sporting x FC Porto; Fullham x Shakhtar Donetsk ; Manchester United x CSKA; Sheffield United x Newcastle; Benfica x Everton; Paris Saint Germain x Lille, entre outros. Aproveitarei também para acompanhar o final dessa temporada européia, com jogos do Campeonato Português e Liga Europa. E no próximo semestre me mudarei para Madrid e aí acompanharei os jogos da Liga Espanhola.

Aproveito para recomendar outros blogs brasileiros que têm esta mesma proposta: Torcida e Expulsos de Campo. E caso alguém queira contribuir enviando seu relato de algum jogo ou estádio será muito bem-vindo!